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Miopia Infantil e Telas em 2026: O Que Sua Ótica Precisa Saber

No 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, CBO e SBOP lançaram cartilha com limites de tela por idade. Veja dados, tratamentos e o que isso significa para sua ótica.

Publicado em • Atualizado em

Por • Especialista da Equipe Editorial • Atacado Optico

Nos últimos meses, o tema miopia infantil voltou ao centro das discussões no setor óptico brasileiro. Com o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia realizado em setembro de 2026 em Salvador lançando uma cartilha específica sobre o assunto, e campanhas de grandes marcas como a ZEISS reforçando o alerta, nunca houve momento mais oportuno para óticas independentes entenderem o que está acontecendo e como se posicionar. As crianças estão ficando míopes mais cedo, e os pais estão em busca de informação confiável e soluções acessíveis.

O cenário é preocupante e, ao mesmo tempo, representa uma oportunidade concreta para o varejo óptico. Segundo artigo publicado no British Journal of Ophthalmology em setembro de 2024, citado pela campanha global da ZEISS em 2026, 1 em cada 3 crianças no mundo já tem miopia. A Organização Mundial da Saúde estima que metade da população mundial será míope até 2050. No Brasil, um relatório citado pelo portal Terra aponta que os casos de alta miopia devem crescer 54% até 2030. Esses números transformam a miopia infantil em pauta urgente para toda a cadeia óptica.

O Alerta dos Especialistas no 70º Congresso de Oftalmologia

Entre os dias 9 e 12 de setembro de 2026, Salvador sediou o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia. O evento foi palco do lançamento da cartilha "Mais Tempo ao Ar Livre, Mais Saúde para os Olhos", elaborada pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) em parceria com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). A cartilha estabelece recomendações de tempo de tela por faixa etária, amplamente divulgadas pela Agência Brasil logo após o congresso:

O CBO destacou que a exposição à luz natural funciona como fator protetor contra a progressão da miopia. A recomendação é que crianças passem mais tempo ao ar livre como medida preventiva comprovada. Ainda no congresso, o Projeto Pequenos Olhares CBO, em sua quinta edição, atendeu cerca de 1.000 crianças e adolescentes com consultas oftalmológicas, exames diagnósticos e distribuição gratuita de óculos para quem necessitava de correção visual.

Em paralelo, a campanha "Miopia e Volta às Aulas" da ZEISS ganhou força nas redes sociais ao reforçar o compromisso da marca com o combate à miopia infantil. E a campanha "De Olho nos Olhinhos", criada por Daiana Garbin e Tiago Leifert, chegou à quinta edição com 100 ações de conscientização em todo o Brasil entre setembro e outubro de 2026, com participação de 37 instituições e hospitais credenciados pelo CBO.

A Epidemia em Números: O Que Dizem as Pesquisas

A miopia não é novidade, mas sua velocidade de crescimento entre crianças e jovens é inédita. Dados citados pelo portal ES Hoje com base em estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que o Brasil atingiu 31,8 milhões de míopes em 2025. Um relatório mencionado pelo portal Terra projeta aumento de 54% nos casos de alta miopia no país até 2030, o que representaria aproximadamente 9,5 milhões de altos míopes.

No plano global, uma meta-análise publicada no NCBI confirmou que a exposição prolongada a telas está significativamente associada à miopia em crianças e adolescentes. Uma revisão publicada na Contemporary Pediatrics em abril de 2026 apontou que o tempo médio diário de uso de telas entre crianças saltou de aproximadamente 2,1 horas para 5,6 horas durante o período de ensino à distância.

A história, porém, é mais complexa do que simplesmente culpar as telas. Segundo reportagem do Medical Daily publicada em 2026, o fator protetor mais relevante identificado pelas pesquisas é o aumento do tempo ao ar livre. Estudos apontam que pelo menos 76 minutos diários fora de casa estão associados a efeito protetor significativo para crianças ainda não míopes. Em outras palavras: reduzir telas ajuda, mas colocar a criança para brincar ao sol é o que realmente faz diferença.

Tratamentos para Controle da Progressão: O Que a Ciência Recomenda

Para crianças já diagnosticadas com miopia, há tratamentos eficazes para desacelerar a progressão. Os principais, segundo o portal All About Vision, são:

Ortoceratologia (Ortho-K): lentes de contato noturnas de alta oxigenação que remodelam temporariamente a córnea durante o sono. Crianças que usavam lentes orto-k tiveram progressão 43% mais lenta no comprimento axial dos olhos em comparação com usuárias de óculos convencionais.

Colírio de atropina em baixa concentração (0,01%): consolidado na prática clínica pelo seu perfil de segurança e baixo risco de efeito rebote. O tratamento é dose-dependente, e os efeitos colaterais em concentrações baixas costumam se limitar a fotofobia leve e eventual visão turva para perto.

Lentes de contato multifocais: desenvolvidas para criar defocus periférico, reduzindo o estímulo ao crescimento axial do olho.

Tratamento combinado: a associação de ortoceratologia com atropina em baixas doses tem apresentado resultados superiores ao uso isolado de cada método, sendo indicada especialmente em crianças com progressão rápida.

Essas opções de controle representam uma oportunidade direta de receita e posicionamento técnico para óticas que trabalham com lentes de contato e atendimento especializado ao público infantil.

O Que Isso Significa Para Sua Ótica

O crescimento da miopia infantil não é apenas um problema de saúde pública. É uma janela de oportunidade para óticas que se posicionarem com informação e cuidado. Cinco ações práticas:

Perguntas Frequentes

Com que idade as crianças devem fazer o primeiro exame de vista? Especialistas do CBO recomendam que o primeiro exame oftalmológico ocorra ainda na primeira infância, idealmente antes dos 3 anos. O diagnóstico precoce permite intervir antes que a miopia avance de forma significativa.

O uso de telas é a principal causa da miopia infantil? A relação entre telas e miopia é multifatorial. O tempo prolongado em atividades de visão de perto e a redução da exposição à luz natural são os principais fatores de risco, conforme evidenciado pelo 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia. O fator protetor mais relevante identificado pelas pesquisas é aumentar o tempo ao ar livre.

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Fontes